Investigando a Realidade Feminina no Ambiente Acadêmico
O projeto Mulheres no Campus nasceu da necessidade de transformar o discurso acadêmico em uma narrativa de escuta ativa e investigação jornalística. Nós investigamos as desigualdades estruturais, a violência de gênero e as pressões invisíveis que moldam a jornada universitária das mulheres. Através de entrevistas profundas e análises críticas, buscamos conscientizar sobre a saúde mental, o reconhecimento intelectual e a construção de um ambiente universitário verdadeiramente seguro e acolhedor.

Relatos das Entrevistadas
Conheça as histórias reais que moldam o ambiente acadêmico e a luta por justiça e reconhecimento.

“Precisava endurecer minha postura para ser ouvida.”
Ser mulher, jovem e professora universitária significou enfrentar interrupções constantes, agressividade em sala e até ameaça de morte.
No relato de Stéfanie, a violência de gênero aparece no silenciamento, na deslegitimação da autoridade feminina e no medo de permanecer na docência.

VIOLÊNCIA DE GÊNERO NA UNIVERSIDADE: POR QUE MULHERES AINDA ENFRENTAM MAIS OBSTÁCULOS NA VIDA ACADÊMICA?
Mesmo sendo maioria na formação científica, mulheres lidam com assédio, insegurança e barreiras estruturais para permanecer e avançar na academia
Por Redação Mulheres no Campus — 14 de maio de 2026
Stéfanie Spezamiglio aprendeu, com o tempo, a medir o espaço antes de ocupar a palavra. Na universidade, onde deveria encontrar liberdade para pensar e ensinar, encontrou também interrupções, olhares atravessados e uma resistência difícil de nomear, mas fácil de sentir. Ainda como aluna, percebeu que seus questionamentos teóricos vinham acompanhados de desconfiança: era “dramática”, “indisciplinada”, “difícil”. Adjetivos que não descreviam seu desempenho, mas delimitavam o lugar que esperavam que ela ocupasse: o de aluna submissa. Anos depois, já professora, a cena se repetiria sob novas formas. Em sala, sua voz era constantemente sobreposta por vozes masculinas, que se elevavam em tom para impor uma autoridade maior do que a da docente. Para continuar, precisou endurecer. Impor-se deixou de ser escolha pedagógica e passou a ser estratégia de sobrevivência na universidade. Estudiosa do feminismo, Stéfanie logo percebeu que estava sofrendo violência de gênero e, em conversas com outras professoras, tomou conhecimento de que elas também eram hostilizadas em sala de aula. Por outro lado, e sem surpresa para ela, seu companheiro, que lecionava na mesma faculdade, mesmo ao expressar posicionamentos com os quais os alunos discordavam, jamais teve sua fala interrompida por vozes mais altas, tampouco sofreu ataques por exercer sua liberdade de ensino.
ASSÉDIO, SILÊNCIO E APAGAMENTO MARCAM TRAJETÓRIA DE MULHERES NA ACADEMIA
Relatos de professoras e pesquisadoras revelam assédio moral, roubo de autoria, perseguição institucional e dificuldades enfrentadas por mulheres na carreira acadêmica.
Por Redação Mulheres no Campus — 14 de maio de 2026
A professora universitária C.A., de 37 anos, relata que a violência de gênero no ambiente acadêmico se manifesta de formas sutis e profundas. 'Muitas vezes, a opressão não vem por meio de um grito, mas pela deslegitimação constante do nosso conhecimento ou pela exclusão de espaços de decisão', afirma. Ela destaca que o apagamento intelectual — quando colegas homens se apropriam de ideias desenvolvidas por mulheres — é uma realidade frequente que mina a confiança e a progressão na carreira. De acordo com especialistas, o acolhimento institucional e a criação de redes de apoio são passos fundamentais para transformar essa realidade. É preciso denunciar não apenas as agressões explícitas, mas também as microagressões que tornam a trajetória acadêmica feminina tão exaustiva. A denúncia pode ser anônima e é fundamental para interromper ciclos de violência.



